quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Brasil mantém terceiro lugar em ranking de atuação no mercado de carbono

O Brasil manteve o terceiro lugar entre países que sediam mais projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), em abril. Desta forma, está entre os que mais vendem créditos de carbono, segundo o Boletim sobre Carbono divulgado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).
Existem hoje 1.596 projetos em MDL registrados no Conselho Executivo da ONU (Organização das Nações Unidas) e 68 em processo de registro, que geram, todos os anos, 292 milhões de créditos de carbono. Enquanto o Reino Unido e a Suíça são os principais compradores desses créditos, a China se mantém na liderança do ranking dos países com mais projetos registrados. São 530, no total. Em seguida, aparecem Índia (420) e Brasil (158).

Para se ter uma ideia, China, Índia, Brasil e México somam 76,5% dos projetos de MDL, gerando cerca de 232 milhões de RCEs (Reduções Certificadas de Emissões) ao ano. A China se destaca ao responder por 57,9% das RCEs.
No Brasil, a maior parte das atividades dos projetos registrados está no setor energético. O País apresenta também 69 projetos de redução de gás metano, subdivididos em suinocultura, aterro sanitário e emissões fugitivas. A região Sudeste concentra 43% dos projetos de MDL brasileiros, sendo São Paulo o estado com participação mais expressiva.
Valor dos créditos
Nem mesmo o mercado de carbono escapou da crise mundial da economia. As RCEs (Reduções Certificas de Emissões) obtidas com projetos de MDL sentiram os reflexos da queda do preço das permissões de emissão da União Europeia. Depois de protagonizar forte crescimento nos últimos três anos, o início de 2009 apresentou queda acentuada.
Em março e abril, entretanto, os preços voltaram a subir, girando em torno de 11,50 euros. Esse valor já representa um aumento de 50% em relação ao mínimo atingido este ano (7,39 euros). A recuperação é reflexo do aumento dos preços do carbono no mercado da União Europeia, que vem retomando um espaço, apoiando-se nos preços mais fortes dos combustíveis e da eletricidade, bem como em algumas melhorias no panorama para as commodities em geral.
Segundo o boletim divulgado pela Firjan, no entanto, compradores e vendedores de créditos de carbono estão cautelosos, porque desconhecem a extensão da recessão econômica. Apesar da pequena recuperação nos preços, estes ainda não são suficientes para viabilizar grande parte dos novos projetos de redução de emissões.
Perspectiva para o mercado
Uma pesquisa realizada pela consultoria Point Carbon revelou que, apesar da desaceleração econômica mundial, é grande a crença de que os Estados Unidos irão aderir às regras do mercado de carbono até 2015. Mais de 80% dos 3 mil entrevistados ligados ao mercado de carbono de 116 países disseram que os EUA deverão implantar uma legislação federal para regulamentar as emissões de gases nocivos ao meio ambiente.
No que se refere ao preço das permissões de emissão da União Europeia, houve queda da expectativa positiva dos respondentes, sendo que agora somente 13% deles apostam em um preço acima de 25 euros para 2010. A principal causa é a crise, uma vez que 60% dos entrevistados de empresas com operações no comércio de carbono afirmaram ter, por este motivo, reduzido as projeções, atrasado ou cancelado projetos de redução ou mitigação de gases do efeito estufa.
Por fim, a confiança no mercado futuro, no entanto, se manteve: 45% esperam que as permissões alcancem 35 euros ou mais em 2020. O prognóstico também é positivo quanto às Reduções Certificadas de Emissões, negociadas pelo Tratado de Quioto. Enquanto na edição de 2008 da pesquisa, apenas 8% dos entrevistados afirmaram ter negociado RCEs para entrega após 2012 (ano em que finda o Protocolo de Quioto e deve ser selado um novo acordo climático), na edição de 2009, este número subiu para 20%*. *Com informações da Point Carbon e do CarbonoBrasil.

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EUA estudam criar 'tarifa verde' para importados

O Congresso americano avalia impor uma "tarifa verde" sobre produtos importados de países que não adotam limites nas emissões de gases do efeito estufa semelhantes aos adotados pelos Estados Unidos. A medida seria uma forma de proteger a competitividade das empresas americanas que serão obrigadas a limitar as suas emissões e participar do mercado de créditos de carbono.

Digite aquSegundo a Lei de Mudança Climática que tramita no Congresso americano, os países que não adotarem limites de emissões semelhantes aos dos EUA terão de pagar tarifas de importação de acordo com o "vestígio de carbono" de cada mercadoria - ou seja, o volume de gases lançados na atmosfera durante sua fabricação.
Na primeira versão da lei, que será avaliada no comitê de energia da Câmara nesta semana, a tarifa só poderá ser aplicada a partir de 2025.
Mas o lobby das indústrias intensivas em carbono - as mais poluentes, como as de carvão, vidro, aço e outras - está pressionando para adiantar o início da tarifa. Os países terão até uma determinada data para adotar medidas de produção mais limpas semelhantes às dos EUA ou seus produtos passam a ser taxados na fronteira.
Essa tarifa verde deve gerar todo tipo de problema, preveem especialistas. "Se isso sair, pode criar uma guerra comercial na OMC", diz Diego Bonomo, diretor executivo do Brazil Information Center, entidade que representa empresas brasileiras nos Estados Unidos.

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sábado, 6 de Setembro de 2008

CARBONO SOCIAL

Agências humanitárias querem que projectos sociais com possibilidade de compensação de carbono tenham os ganhos com os créditos investidos em ajuda às populações mais afectadas pelo aquecimento global. É o chamado carbono social.

A produção do caju brasileiro é um exemplo: as agências querem que as empresas produtoras do suco da fruta adoptem processos menos poluentes e que o valor gerado com a venda de créditos de carbono beneficie as próprias comunidades produtoras, que podem ser directamente afectadas por mudanças climáticas. Quem coordena a iniciativa é a New Economics Foundation (NEF) e o International Institute for Environment and Development (IIED).
A ONU estima que serão necessários US$ 86 bilhões, até 2015, em ajuda aos mais pobres afectados pelas mudanças climáticas, que podem destruir plantações e provocar desastres naturais. O mercado voluntário de créditos de carbono (comprados voluntariamente por empresas não submetidas às regras do protocolo de Kyoto, por exemplo, por seu país não ser signatário do documento, como os Estados Unidos) triplicou entre 2006 e 2007, quando chegou a US$ 331 milhões. Mas muitos geradores de créditos ainda têm dificuldade de encontrar compradores porque são projectos pequenos e os grandes emissores preferem comprar dos grandes, que geram altos volumes de créditos.
A organização não-governamental Mercy Corps lançou iniciativa semelhante, mas voltada para a redução da pobreza: no site “Cool Carbon” pessoas físicas podem calcular quanto suas actividades (viajar de avião, dirigir, tomar banho etc.) emitem de carbono na atmosfera e doar o valor para projectos neutros – que não emitem carbono – e geram empregos ao mesmo tempo. Na Bósnia, por exemplo, as doações são destinadas a uma fábrica de doces, na cidade Tuzla, para que converta o óleo de cozinha usado em biodíesel que, por sua vez, é usado nos ônibus públicos.
Me parece um grande exemplo de parceria público-privada com a sociedade civil. Todo mundo faz a sua parte e todo mundo sai ganhando!

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quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Senegal e BM assinam contrato de compra de créditos de carbono

A Agência Senegalesa de Electrificação Rural (ASER) e o Banco Mundial (BM) vão assinar quarta-feira em Dakar um contrato único de compra de créditos de carbonos que permite acrescentar os benefícios da finança de carbono a um importante projecto de electrificação rural, indica um comunicado oficial.

É pela primeira vez que o Senegal vai assinar este contrato. O acordo de pré-compra de créditos de carbono será rubricado em nome do Fundo de Carbono para o Desenvolvimento Comunitário pelo Banco Mundial, segundo a nota.
A cerimónia deste evento decorrerá à margem duma feira de carbono, designado Fórum Carbono Africano, a iniciar-se quarta-feira próxima na capital senegalesa com duração de três dias, lê-se no comunicado.
Várias actividades terão lugar durante esta feira, nomeadamente trocas de experiências entre investidores e realizadores de projectos ligados à mudança climática, conferências, fóruns de trocas sobre políticas climáticas e um programa de formação visando o reforço das capacidades dos responsáveis e participantes no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo associado ao Protocolo de Quioto, segundo a fonte.

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terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Walter Salles planta 7.500 mudas de árvores da Mata Atlântica no Rio

Ecologicamente correcto, director quer neutralizar emissões de carbono produzidas durante realização de 'Linha de passe'.
Walter Salles é ecologicamente correcto. O director de "Linha de passe" contou nesta segunda-feira, 1, que a única alteração que fez no filme depois que voltou do Festival de Cinema de Cannes foi nos créditos finais do longa.

Tudo para prestar contas do reflorestamento que está fazendo no Rio de Janeiro para neutralizar as emissões de carbono produzidas durante a realização do longa.
Walter e Daniela Thomas, que também dirige o filme, fizeram questão de calcular as emissões de carbono de "Linha de passe", que conta a história de quatro irmãos que moram em São Paulo. "Parece que não polui, mas nós usamos vans, tem a química da revelação dos filmes...", explicou o diretor.
"Com a ajuda da secretaria de Meio Ambiente do Rio nós calculamos a emissão e compramos créditos de carbono para zerar o filme", acrescenta Walter.
"Com a ajuda da secretaria de Meio Ambiente do Rio nós calculamos a emissão e compramos créditos de carbono para zerar o filme", acrescenta Walter.
Ao todo, foram produzidas 118 mil toneladas de monóxido de carbono. A conta? A produção do filme está plantando 7.500 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, numa área de cerca de três hectares, no Parque Estadual Maciço da Pedra Branca, na Zona Oeste do Rio.

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sábado, 30 de Agosto de 2008

Carbono, a nova commodity

A boa notícia é que São Paulo já marcou a data para o segundo leilão de créditos de carbono na Bolsa de Valores: 25 de Setembro. Desta vez, serão negociados créditos referentes a 713 mil toneladas de carbono de dois aterros sanitários, Bandeirantes e São João, na capital.

O gás metano emitido pelo lixo em decomposição nos aterros foi canalizado e hoje produz energia eléctrica, deixando de ser lançado no ar - o que abriu a possibilidade de negociação dos títulos, dentro do acordo de Kyoto.
No ano passado, a prefeitura fez a venda da primeira leva de títulos, arrematados pelo banco holandês Fortis Bank NV/SA, o que rendeu R$ 35 milhões. A tonelada de carbono foi arrematada a 16 euros. Este ano, com o preço do carbono estimado em torno de 19 euros a tonelada, a expectativa é arrecadar mais de R$ 40 milhões.

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